Quem Trabalha em Pé ou Sentado o Dia Todo: Como Proteger as Pernas?
Chegar em casa no fim do dia com a sensação de que as pernas estão pesadas, inchadas ou cansadas é uma queixa muito comum no consultório. Na maioria das vezes, isso desperta pouca preocupação — afinal, “todo mundo sente isso de vez em quando”. Mas quando esse sintoma se repete com frequência, ele pode ser mais do que simples cansaço: pode ser um sinal do seu sistema circulatório pedindo atenção.

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Quem Trabalha em Pé ou Sentado o Dia Todo: Como Proteger as Pernas?
Cirurgiões, dentistas, cabeleireiros, professores, vendedores, cozinheiros. Do outro lado, advogados, executivos, programadores, motoristas, quem passa o dia em reuniões.
Dois extremos opostos com um ponto em comum: a musculatura da panturrilha fica parada.
E é justamente ela que faz o sangue subir de volta das pernas para o coração. Sem contração muscular, o sangue estagna nas veias, a pressão dentro delas aumenta e, ao longo dos anos, isso favorece a dilatação venosa.

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Por que ficar parado é o problema — não a posição
A panturrilha funciona como uma bomba. A cada passo, ela comprime as veias profundas e impulsiona o sangue para cima. As válvulas dentro das veias impedem que ele volte.
Ficar em pé parado é ruim porque a bomba não trabalha e a gravidade age contra. Ficar sentado é ruim pelo mesmo motivo, com o agravante da flexão do quadril e do joelho, que dificulta o fluxo.
Perceba a consequência prática: andar o dia todo não é fator de risco. Ficar parado é — em qualquer posição.
Sinais de que suas pernas estão sobrecarregadas
- Peso e cansaço que aparecem no fim do expediente
- Marca da meia no tornozelo ao fim do dia
- Sapato que aperta à tarde mas não de manhã
- Câimbras noturnas
- Coceira nas pernas
- Vasinhos ou veias que começaram a aparecer
Esses sintomas costumam ser normalizados como “é do trabalho”. Vale reconsiderar: eles indicam sobrecarga venosa, e a insuficiência venosa é progressiva.
Para quem trabalha em pé
- Transfira o peso entre as pernas com frequência, em vez de ficar imóvel
- Se possível, use um apoio baixo para alternar a elevação de um pé
- Faça elevações de calcanhar — fique na ponta dos pés e desça, 10 a 15 vezes, sempre que puder. É o exercício que ativa a bomba da panturrilha
- Caminhe alguns passos a cada intervalo possível
- Evite calçados totalmente planos e saltos muito altos; o salto médio, entre três e quatro centímetros, costuma ser mais favorável ao trabalho da panturrilha
- Eleve as pernas por alguns minutos ao chegar em casa
Para quem trabalha sentado
- Levante-se a cada 45 a 60 minutos, nem que seja por um minuto
- Sentado, faça movimentos de flexão e extensão dos tornozelos repetidamente
- Evite cruzar as pernas por longos períodos
- Mantenha os pés apoiados no chão ou em apoio adequado
- Use reuniões longas como lembrete: movimente os tornozelos por baixo da mesa
- Hidrate-se — beber água gera pausas, que geram movimento
Meias de compressão no trabalho
Para quem tem sintomas ou fatores de risco, a meia de compressão usada durante o expediente é a medida com melhor relação entre esforço e benefício.
Ela não trata a causa quando existe refluxo, mas reduz significativamente o desconforto ao fim do dia e ajuda a controlar o inchaço. A graduação adequada deve ser indicada por um médico — e há contraindicações, especialmente em pessoas com doença arterial.
Quando o cuidado no trabalho já não basta
Procure avaliação se:
- Os sintomas persistem mesmo com as medidas acima
- Surgiram veias dilatadas visíveis
- Há inchaço que não desaparece durante a noite
- A pele do tornozelo escureceu ou endureceu
- Há histórico familiar de varizes ou trombose
Essas medidas são proteção e alívio. Quando já existe refluxo venoso estabelecido, elas controlam sintomas, mas não revertem o problema — e o diagnóstico precisa ser feito.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Dra. Ana Beatriz Boffa | Cirurgiã Vascular e Endovascular | CRM-SP 199300 | RQE 110234

DRA. ANA BEATRIZ BOFFA
CRM-SP 199300 | RQE 110234
Médica formada pela USP, com atuação em cirurgia vascular e endovascular.
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