Entupimento da Carótida: Sintomas e Relação com o AVC
A estenose de carótida é silenciosa e uma das causas de AVC. Entenda os sinais de alerta, quem deve fazer o doppler e como é o tratamento.

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Entupimento da Carótida: Sintomas, Risco de AVC e Tratamento
As artérias carótidas sobem pelos dois lados do pescoço e levam sangue ao cérebro. Quando placas de gordura e cálcio se acumulam em suas paredes — processo chamado aterosclerose —, o canal se estreita. É a estenose carotídea, popularmente conhecida como entupimento da carótida.
O risco não está apenas na redução do fluxo. Está principalmente no fato de que fragmentos da placa podem se desprender, subir pela corrente sanguínea e obstruir uma artéria dentro do cérebro. É assim que a doença carotídea causa AVC.

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Os sintomas de alerta
A estenose em si costuma ser silenciosa. Não dói, não causa tontura nem dor de cabeça — ao contrário do que muita gente acredita.
Quando ela se manifesta, é através de sintomas neurológicos súbitos:
- Perda de força ou dormência em um lado do corpo — braço, perna ou ambos
- Assimetria facial, boca torta
- Dificuldade súbita para falar, para encontrar palavras ou para entender o que dizem
- Perda visual em um olho, descrita classicamente como uma cortina descendo
- Perda súbita de equilíbrio ou coordenação
O aviso que muita gente ignora
Se esses sintomas apareceram e melhoraram sozinhos em minutos ou poucas horas, pode ter sido um AIT — ataque isquêmico transitório.
O erro comum é interpretar a melhora como resolução. Não é. O AIT é um aviso de que um AVC pode acontecer, e o risco é mais alto justamente nos dias seguintes ao episódio.
Quem teve um AIT precisa ser avaliado com urgência, não na próxima consulta de rotina. Existe janela de tempo em que a intervenção, quando indicada, tem maior benefício.
Fatores de risco
- Idade avançada
- Hipertensão arterial
- Diabetes
- Colesterol elevado
- Tabagismo
- Doença arterial coronariana ou doença arterial periférica
- Histórico familiar de doença cardiovascular precoce
- Obesidade e sedentarismo
São, essencialmente, os mesmos fatores do infarto — porque é a mesma doença de base, em outro território.
Quem deve fazer o doppler de carótidas
Aqui vale uma informação que nem todo conteúdo dá, mas que é a posição das principais diretrizes: o doppler de carótidas não é indicado como rastreamento para a população geral sem sintomas e sem fatores de risco.
Rastrear indiscriminadamente gera achados de significado incerto, ansiedade e exames em cascata sem benefício comprovado.
O exame se justifica quando há:
- Qualquer sintoma neurológico prévio, ainda que transitório
- Sopro carotídeo identificado no exame físico do pescoço
- Doença arterial já diagnosticada em outro território — coronárias, pernas, aorta
- Combinação de múltiplos fatores de risco cardiovascular
- Histórico de AVC prévio
O doppler é indolor, sem radiação e sem contraste. Quando necessário, é complementado por angiotomografia ou angiorressonância.
Como é o tratamento
Tratamento clínico — é a base para todos os pacientes, independentemente do grau de estenose, e não é uma opção “menor”:
- Controle rigoroso da pressão arterial
- Estatinas para controle do colesterol
- Antiagregante plaquetário, conforme indicação
- Controle do diabetes
- Cessação do tabagismo
- Atividade física e controle de peso
O tratamento clínico moderno melhorou substancialmente os resultados em pacientes assintomáticos, e isso mudou a forma como se decide sobre intervenção.
Intervenção — considerada em estenoses graves, especialmente quando já houve sintomas. Existem duas abordagens principais:
- Endarterectomia carotídea — cirurgia que remove a placa da artéria
- Angioplastia com stent — via endovascular, por cateter
A decisão entre operar ou não, e entre as duas técnicas, considera o grau de estenose, a presença e o momento dos sintomas, a anatomia do vaso, a idade e o risco cirúrgico individual. Não é uma decisão tomada apenas pelo número do exame
O ponto mais importante deste texto
Se você ou alguém próximo apresentar perda de força, boca torta, fala embolada ou perda visual súbita — mesmo que passe —, procure emergência imediatamente. Tempo é cérebro, e o episódio que passou sozinho pode ser o único aviso antes de um AVC estabelecido.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Dra. Ana Beatriz Boffa | Cirurgiã Vascular e Endovascular | CRM-SP 199300 | RQE 110234

DRA. ANA BEATRIZ BOFFA
CRM-SP 199300 | RQE 110234
Médica formada pela USP, com atuação em cirurgia vascular e endovascular.
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