Skip to main content

Dra. Ana Beatriz Boffa

Entupimento da Carótida: Sintomas e Relação com o AVC

A estenose de carótida é silenciosa e uma das causas de AVC. Entenda os sinais de alerta, quem deve fazer o doppler e como é o tratamento.

Por Dra. Ana Beatriz Boffa

Cirurgiã Vascular e Endovascular

Imagem: banco de imagens

Entupimento da Carótida: Sintomas, Risco de AVC e Tratamento

As artérias carótidas sobem pelos dois lados do pescoço e levam sangue ao cérebro. Quando placas de gordura e cálcio se acumulam em suas paredes — processo chamado aterosclerose —, o canal se estreita. É a estenose carotídea, popularmente conhecida como entupimento da carótida.

O risco não está apenas na redução do fluxo. Está principalmente no fato de que fragmentos da placa podem se desprender, subir pela corrente sanguínea e obstruir uma artéria dentro do cérebro. É assim que a doença carotídea causa AVC.

 

Imagem: banco de imagens

Os sintomas de alerta

A estenose em si costuma ser silenciosa. Não dói, não causa tontura nem dor de cabeça — ao contrário do que muita gente acredita.

Quando ela se manifesta, é através de sintomas neurológicos súbitos:

  • Perda de força ou dormência em um lado do corpo — braço, perna ou ambos
  • Assimetria facial, boca torta
  • Dificuldade súbita para falar, para encontrar palavras ou para entender o que dizem
  • Perda visual em um olho, descrita classicamente como uma cortina descendo
  • Perda súbita de equilíbrio ou coordenação

O aviso que muita gente ignora

Se esses sintomas apareceram e melhoraram sozinhos em minutos ou poucas horas, pode ter sido um AIT — ataque isquêmico transitório.

O erro comum é interpretar a melhora como resolução. Não é. O AIT é um aviso de que um AVC pode acontecer, e o risco é mais alto justamente nos dias seguintes ao episódio.

Quem teve um AIT precisa ser avaliado com urgência, não na próxima consulta de rotina. Existe janela de tempo em que a intervenção, quando indicada, tem maior benefício.

Fatores de risco

  • Idade avançada
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes
  • Colesterol elevado
  • Tabagismo
  • Doença arterial coronariana ou doença arterial periférica
  • Histórico familiar de doença cardiovascular precoce
  • Obesidade e sedentarismo

São, essencialmente, os mesmos fatores do infarto — porque é a mesma doença de base, em outro território.

Quem deve fazer o doppler de carótidas

Aqui vale uma informação que nem todo conteúdo dá, mas que é a posição das principais diretrizes: o doppler de carótidas não é indicado como rastreamento para a população geral sem sintomas e sem fatores de risco.

Rastrear indiscriminadamente gera achados de significado incerto, ansiedade e exames em cascata sem benefício comprovado.

O exame se justifica quando há:

  • Qualquer sintoma neurológico prévio, ainda que transitório
  • Sopro carotídeo identificado no exame físico do pescoço
  • Doença arterial já diagnosticada em outro território — coronárias, pernas, aorta
  • Combinação de múltiplos fatores de risco cardiovascular
  • Histórico de AVC prévio

O doppler é indolor, sem radiação e sem contraste. Quando necessário, é complementado por angiotomografia ou angiorressonância.

Como é o tratamento

Tratamento clínico — é a base para todos os pacientes, independentemente do grau de estenose, e não é uma opção “menor”:

  • Controle rigoroso da pressão arterial
  • Estatinas para controle do colesterol
  • Antiagregante plaquetário, conforme indicação
  • Controle do diabetes
  • Cessação do tabagismo
  • Atividade física e controle de peso

O tratamento clínico moderno melhorou substancialmente os resultados em pacientes assintomáticos, e isso mudou a forma como se decide sobre intervenção.

Intervenção — considerada em estenoses graves, especialmente quando já houve sintomas. Existem duas abordagens principais:

  • Endarterectomia carotídea — cirurgia que remove a placa da artéria
  • Angioplastia com stent — via endovascular, por cateter

A decisão entre operar ou não, e entre as duas técnicas, considera o grau de estenose, a presença e o momento dos sintomas, a anatomia do vaso, a idade e o risco cirúrgico individual. Não é uma decisão tomada apenas pelo número do exame

 

O ponto mais importante deste texto

Se você ou alguém próximo apresentar perda de força, boca torta, fala embolada ou perda visual súbita — mesmo que passe —, procure emergência imediatamente. Tempo é cérebro, e o episódio que passou sozinho pode ser o único aviso antes de um AVC estabelecido.


 

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Dra. Ana Beatriz Boffa | Cirurgiã Vascular e Endovascular | CRM-SP 199300 | RQE 110234

DRA. ANA BEATRIZ BOFFA
CRM-SP 199300 | RQE 110234

Médica formada pela USP, com atuação em cirurgia vascular e endovascular.

CUIDE DA SUA saúde vascular para

+ QUALIDADE DE VIDA

Da prevenção ao diagnóstico, com indicação
do tratamento mais adequado para você.

A estenose de carótida é silenciosa e uma das causas de AVC. Entenda os sinais de alerta, quem deve fazer o doppler e como é o tratamento.

O aneurisma de aorta quase não dá sintomas até romper. Entenda quem deve fazer o rastreamento, como é o acompanhamento e quais sinais são emergência.

Quem passa o dia em pé ou sentado tem mais risco de problemas venosos. Veja o que fazer durante o expediente para proteger a circulação das pernas.

One Response

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *