Skip to main content

Dra. Ana Beatriz Boffa

Quem Trabalha em Pé ou Sentado o Dia Todo: Como Proteger as Pernas?

Chegar em casa no fim do dia com a sensação de que as pernas estão pesadas, inchadas ou cansadas é uma queixa muito comum no consultório. Na maioria das vezes, isso desperta pouca preocupação — afinal, “todo mundo sente isso de vez em quando”. Mas quando esse sintoma se repete com frequência, ele pode ser mais do que simples cansaço: pode ser um sinal do seu sistema circulatório pedindo atenção.

Por Dra. Ana Beatriz Boffa

Cirurgiã Vascular e Endovascular

Imagem: banco de imagens

Quem Trabalha em Pé ou Sentado o Dia Todo: Como Proteger as Pernas? ​

Cirurgiões, dentistas, cabeleireiros, professores, vendedores, cozinheiros. Do outro lado, advogados, executivos, programadores, motoristas, quem passa o dia em reuniões.

Dois extremos opostos com um ponto em comum: a musculatura da panturrilha fica parada.

E é justamente ela que faz o sangue subir de volta das pernas para o coração. Sem contração muscular, o sangue estagna nas veias, a pressão dentro delas aumenta e, ao longo dos anos, isso favorece a dilatação venosa.

Imagem: banco de imagens

Por que ficar parado é o problema — não a posição

A panturrilha funciona como uma bomba. A cada passo, ela comprime as veias profundas e impulsiona o sangue para cima. As válvulas dentro das veias impedem que ele volte.

Ficar em pé parado é ruim porque a bomba não trabalha e a gravidade age contra. Ficar sentado é ruim pelo mesmo motivo, com o agravante da flexão do quadril e do joelho, que dificulta o fluxo.

Perceba a consequência prática: andar o dia todo não é fator de risco. Ficar parado é — em qualquer posição.

Sinais de que suas pernas estão sobrecarregadas

  • Peso e cansaço que aparecem no fim do expediente
  • Marca da meia no tornozelo ao fim do dia
  • Sapato que aperta à tarde mas não de manhã
  • Câimbras noturnas
  • Coceira nas pernas
  • Vasinhos ou veias que começaram a aparecer

Esses sintomas costumam ser normalizados como “é do trabalho”. Vale reconsiderar: eles indicam sobrecarga venosa, e a insuficiência venosa é progressiva.

Para quem trabalha em pé

  • Transfira o peso entre as pernas com frequência, em vez de ficar imóvel
  • Se possível, use um apoio baixo para alternar a elevação de um pé
  • Faça elevações de calcanhar — fique na ponta dos pés e desça, 10 a 15 vezes, sempre que puder. É o exercício que ativa a bomba da panturrilha
  • Caminhe alguns passos a cada intervalo possível
  • Evite calçados totalmente planos e saltos muito altos; o salto médio, entre três e quatro centímetros, costuma ser mais favorável ao trabalho da panturrilha
  • Eleve as pernas por alguns minutos ao chegar em casa

 

Para quem trabalha sentado

  • Levante-se a cada 45 a 60 minutos, nem que seja por um minuto
  • Sentado, faça movimentos de flexão e extensão dos tornozelos repetidamente
  • Evite cruzar as pernas por longos períodos
  • Mantenha os pés apoiados no chão ou em apoio adequado
  • Use reuniões longas como lembrete: movimente os tornozelos por baixo da mesa
  • Hidrate-se — beber água gera pausas, que geram movimento

Meias de compressão no trabalho

Para quem tem sintomas ou fatores de risco, a meia de compressão usada durante o expediente é a medida com melhor relação entre esforço e benefício.

Ela não trata a causa quando existe refluxo, mas reduz significativamente o desconforto ao fim do dia e ajuda a controlar o inchaço. A graduação adequada deve ser indicada por um médico — e há contraindicações, especialmente em pessoas com doença arterial.

Quando o cuidado no trabalho já não basta

Procure avaliação se:

  • Os sintomas persistem mesmo com as medidas acima
  • Surgiram veias dilatadas visíveis
  • Há inchaço que não desaparece durante a noite
  • A pele do tornozelo escureceu ou endureceu
  • Há histórico familiar de varizes ou trombose

Essas medidas são proteção e alívio. Quando já existe refluxo venoso estabelecido, elas controlam sintomas, mas não revertem o problema — e o diagnóstico precisa ser feito.


 

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Dra. Ana Beatriz Boffa | Cirurgiã Vascular e Endovascular | CRM-SP 199300 | RQE 110234

DRA. ANA BEATRIZ BOFFA
CRM-SP 199300 | RQE 110234

Médica formada pela USP, com atuação em cirurgia vascular e endovascular.

CUIDE DA SUA saúde vascular para

+ QUALIDADE DE VIDA

Da prevenção ao diagnóstico, com indicação
do tratamento mais adequado para você.

A estenose de carótida é silenciosa e uma das causas de AVC. Entenda os sinais de alerta, quem deve fazer o doppler e como é o tratamento.

O aneurisma de aorta quase não dá sintomas até romper. Entenda quem deve fazer o rastreamento, como é o acompanhamento e quais sinais são emergência.

Quem passa o dia em pé ou sentado tem mais risco de problemas venosos. Veja o que fazer durante o expediente para proteger a circulação das pernas.

2 Responses

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *