Anticoncepcional e Trombose: Qual o Risco Real?
O anticoncepcional aumenta o risco de trombose — mas quanto? Entenda os números reais, quem tem mais risco e os sinais de alerta que exigem atendimento.

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Anticoncepcional e Trombose: Entenda o Risco Real
É uma das perguntas mais frequentes no consultório, e costuma vir carregada de ansiedade — geralmente depois de uma manchete alarmante ou do caso de alguém conhecido.
A resposta honesta tem duas partes. Sim, anticoncepcionais com estrogênio aumentam o risco de trombose. E não, isso não significa que a maioria das mulheres que usam vá desenvolver trombose. A diferença entre essas duas frases está em entender risco relativo e risco absoluto.

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A diferença que muda tudo
Quando um estudo diz que a pílula “triplica o risco”, isso é risco relativo. Impressiona, mas não diz nada sobre a sua chance real.
O que importa é o risco absoluto — quantas mulheres em cada dez mil realmente desenvolvem trombose por ano:
| Situação | Casos por 10 mil mulheres/ano (aproximado) |
|---|---|
| Mulher jovem sem uso de hormônio | 1 a 2 |
| Uso de anticoncepcional combinado | 3 a 10 |
| Gestação | 5 a 20 |
| Pós-parto (primeiras semanas) | 40 a 65 |
Repare no que a tabela mostra: a própria gravidez oferece risco maior que a pílula, e o pós-parto, muito maior.
Quem tem risco aumentado
O risco não é igual para todas. Ele sobe de forma significativa quando há combinação de fatores:
- Tabagismo, especialmente acima dos 35 anos — a combinação cigarro + pílula é a mais preocupante
- Trombofilias, como o Fator V de Leiden, muitas vezes desconhecidas até o primeiro evento
- Histórico pessoal de trombose — contraindicação para os combinados
- Histórico familiar de trombose em parentes de primeiro grau, sobretudo antes dos 50 anos
- Obesidade
- Imobilização prolongada, pós-operatório ou viagens longas frequentes
- Enxaqueca com aura
- Idade acima de 35 anos somada a outros fatores
Vale saber também que o risco é mais alto no primeiro ano de uso e volta a subir quando há reinício após uma pausa.
Nem todo anticoncepcional tem o mesmo risco
O componente que se associa ao aumento do risco trombótico é o estrogênio. Por isso:
- Combinados (estrogênio + progestagênio), em pílula, adesivo ou anel: são os associados ao aumento de risco
- Métodos só de progestagênio — minipílula, implante, DIU hormonal: em geral, não associados a aumento relevante do risco de trombose venosa
- DIU de cobre: sem hormônio, sem esse risco
Dentro dos combinados, a dose de estrogênio e o tipo de progestagênio também influenciam. Essa escolha é do ginecologista, e deve ser individualizada.
Os sinais de alerta
Independente do método, saiba reconhecer:
Trombose na perna — inchaço súbito, quase sempre em uma perna só, dor ou peso na panturrilha, vermelhidão, calor local, veias superficiais mais aparentes.
Embolia pulmonar (emergência) — falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar fundo, palpitações, tosse com sangue, desmaio.
Diante desses sintomas, procure atendimento de emergência. Não espere para ver se melhora.
O que fazer com essa informação
Não pare o anticoncepcional por conta própria. Interromper de forma abrupta gera outro problema — gravidez não planejada —, e a gestação tem risco trombótico maior que a pílula.
O caminho é conversar com seu ginecologista, informando histórico pessoal e familiar completo. Se houver histórico familiar de trombose, especialmente em pessoas jovens, vale discutir a investigação de trombofilia antes de iniciar o método.
E se você já teve trombose ou tem varizes importantes, uma avaliação vascular ajuda a definir a conduta em conjunto com o ginecologista.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Dra. Ana Beatriz Boffa | Cirurgiã Vascular e Endovascular | CRM-SP 199300 | RQE 110234

DRA. ANA BEATRIZ BOFFA
CRM-SP 199300 | RQE 110234
Médica formada pela USP, com atuação em cirurgia vascular e endovascular.
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