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Dra. Ana Beatriz Boffa

Anticoncepcional e Trombose: Qual o Risco Real?

O anticoncepcional aumenta o risco de trombose — mas quanto? Entenda os números reais, quem tem mais risco e os sinais de alerta que exigem atendimento.

Por Dra. Ana Beatriz Boffa

Cirurgiã Vascular e Endovascular

Imagem: banco de imagens

Anticoncepcional e Trombose: Entenda o Risco Real

É uma das perguntas mais frequentes no consultório, e costuma vir carregada de ansiedade — geralmente depois de uma manchete alarmante ou do caso de alguém conhecido.

A resposta honesta tem duas partes. Sim, anticoncepcionais com estrogênio aumentam o risco de trombose. E não, isso não significa que a maioria das mulheres que usam vá desenvolver trombose. A diferença entre essas duas frases está em entender risco relativo e risco absoluto.

Imagem: banco de imagens

A diferença que muda tudo

Quando um estudo diz que a pílula “triplica o risco”, isso é risco relativo. Impressiona, mas não diz nada sobre a sua chance real.

O que importa é o risco absoluto — quantas mulheres em cada dez mil realmente desenvolvem trombose por ano:

SituaçãoCasos por 10 mil mulheres/ano (aproximado)
Mulher jovem sem uso de hormônio1 a 2
Uso de anticoncepcional combinado3 a 10
Gestação5 a 20
Pós-parto (primeiras semanas)40 a 65

Repare no que a tabela mostra: a própria gravidez oferece risco maior que a pílula, e o pós-parto, muito maior.

Quem tem risco aumentado

O risco não é igual para todas. Ele sobe de forma significativa quando há combinação de fatores:

  • Tabagismo, especialmente acima dos 35 anos — a combinação cigarro + pílula é a mais preocupante
  • Trombofilias, como o Fator V de Leiden, muitas vezes desconhecidas até o primeiro evento
  • Histórico pessoal de trombose — contraindicação para os combinados
  • Histórico familiar de trombose em parentes de primeiro grau, sobretudo antes dos 50 anos
  • Obesidade
  • Imobilização prolongada, pós-operatório ou viagens longas frequentes
  • Enxaqueca com aura
  • Idade acima de 35 anos somada a outros fatores

Vale saber também que o risco é mais alto no primeiro ano de uso e volta a subir quando há reinício após uma pausa.

Nem todo anticoncepcional tem o mesmo risco

O componente que se associa ao aumento do risco trombótico é o estrogênio. Por isso:

  • Combinados (estrogênio + progestagênio), em pílula, adesivo ou anel: são os associados ao aumento de risco
  • Métodos só de progestagênio — minipílula, implante, DIU hormonal: em geral, não associados a aumento relevante do risco de trombose venosa
  • DIU de cobre: sem hormônio, sem esse risco

Dentro dos combinados, a dose de estrogênio e o tipo de progestagênio também influenciam. Essa escolha é do ginecologista, e deve ser individualizada.

Os sinais de alerta

Independente do método, saiba reconhecer:

Trombose na perna — inchaço súbito, quase sempre em uma perna só, dor ou peso na panturrilha, vermelhidão, calor local, veias superficiais mais aparentes.

Embolia pulmonar (emergência) — falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar fundo, palpitações, tosse com sangue, desmaio.

Diante desses sintomas, procure atendimento de emergência. Não espere para ver se melhora.

O que fazer com essa informação

Não pare o anticoncepcional por conta própria. Interromper de forma abrupta gera outro problema — gravidez não planejada —, e a gestação tem risco trombótico maior que a pílula.

O caminho é conversar com seu ginecologista, informando histórico pessoal e familiar completo. Se houver histórico familiar de trombose, especialmente em pessoas jovens, vale discutir a investigação de trombofilia antes de iniciar o método.

E se você já teve trombose ou tem varizes importantes, uma avaliação vascular ajuda a definir a conduta em conjunto com o ginecologista.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Dra. Ana Beatriz Boffa | Cirurgiã Vascular e Endovascular | CRM-SP 199300 | RQE 110234

DRA. ANA BEATRIZ BOFFA
CRM-SP 199300 | RQE 110234

Médica formada pela USP, com atuação em cirurgia vascular e endovascular.

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O anticoncepcional aumenta o risco de trombose — mas quanto? Entenda os números reais, quem tem mais risco e os sinais de alerta que exigem atendimento.

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